Há coisas que não me entram na cabeça... Se por ser antropóloga ou por ter bom coração, isso já não sei.
Hoje, sábado, fui às compras e a caminho de casa encontrei o sem-abrigo que costuma rondar pelas bandas da minha faculdade. O meu primeiro pensamento foi «vai lá e pergunta-lhe se ele precisa de ajuda», mas o medo de ser rejeitada pelo senhor ou de sentir no olhar dele que eu fazia aquilo por mera misericordia e não por boa intenção deteve-me e arrependo-me muito por isso.
Porém quando virei a esquina deparei-me com o mesmo homem, que desta vez tinha ido comprar pão a um café para conseguir enganar a fome. Pois o que me chocou no meio disto tudo foi o facto de ele estar a porta do estabelecimento e não lá dentro. Estava a receber o pão fora do café porque não o tinham deixado entrar!
E agora eu pergunto: porquê? Sinceramente até percebo os donos, as pessoas não querem lanchar com um sem-abrigo e portanto para não espantar clientela tomam essa atitude. Agora, o que me faz confusão são as criaturas que se sentem incomodadas com a presença de uma pessoa que não tem onde dormir... Porquê? pergunto eu outra vez. Será que sentem mal com o facto de terem tudo e haver alguém sem nada? Será que se acham tão superiores que julgam ter o direito a frequentar locais que outros não tem? Juro que não entendo! E honestamente acho que não quero entender.
SOMOS TODOS IGUAIS, lembrem-se disso. Não interessa se há pessoas mais pobres, mais escuras ou mais qualquer coisa que nós porque no final somos seres humanos e é precisamente isso que nos une. Enquanto antropóloga tenho o dever de aceitar as diferenças, de as estudar e de as deixar entusiasmar-me mas não é por isso que escrevo isto. É, outrossim, para vos fazer perceber que não importam as diferenças porque no fundo todos temos os mesmos objectivos.
Não descriminem, não julguem, nem rejeitem sem primeiro estarem do outro lado... isso é como matar alguém, mas por dentro.

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