Nov 28, 2011

Oh, oh, oh... Chegou o Natal!

Já não há paciencia pró Natal, prás compras, prá crise que se adivinha na carteira das pessoas no mês seguinte, depois de terem esbanjado o ordenado e as poupanças em brinquedos para os muidos... Já não há paciencia nenhuma (pelo menos da minha parte)!
Em pequena, lembro-me que gostava de andar pelas ruas do meu bom Porto, em pleno Dezembro, a sentir um frio de rachar, com um cartucho de papel na mão que continha sempre castanhas quentinhas que eu e os meus pais iamos tirando à vez e com pressa antes de chegarmos a uma loja para comprar os presentes. Lembro-me que dava valor a esses momentos e que eram sempre uma alegria para todos. Um tempo de convívio, de diversão, de risota e principalmente tempo de e em família. Também me lembro que ao longo dos anos essa tradição (seguida á risca até aos meus sete aniversários) foi perdendo o hábito até que acabou por desaparecer de vez, principalmente depois de ter sido imposta a lei do "não há prendas pra ninguém".
Apesar de nunca ter achado piada ao dia 25 eram os embrulhos e a excitação de não saber o que ia receber que alimentavam em mim, uma criança ingénua e inocente, o espírito do Natal. Porém, tudo isso foi desaparecendo, a magia apagou-se e agora resta-me um ódio de morte a uma noite que se resume a um jantar com seis pessoas à mesa (sete, este ano), ao habitual bacalhau com batatas e ao bolo rei, que detesto desde sempre.
É por este motivo que não suporto o Natal, as luzes, a imagem de uma festa perfeita que passa sempre nos media. O mês de Dezembro torna-se irritante e até os anuncios televisivos de perfumes e de objectos luxuosos me irritam. Já não existe nos meus olhos aquele brilho que eu vejo nas outras pessoas quando se fala na "data emaculada", já não existe sequer uma réstia de esperança que algum dia esse brilho volte a aparecer, já não há nada no lugar que em tempos enchia o meu coraçãozinho de um calor próprio de uma menina de cinco invernos. Não me resta nada! Nem o Ano Novo se aproveita. A única coisa que sinto agora é uma tristeza, um vazio e uma saudade imensa daquilo que perdi e que sei que por culpa do enfado não volto a recuperar. A irritação e o desprezo que demostro cada vez que saio à rua são a expressão da minha mágoa. Chego a odiar de tal forma esta data que até as músicas mais actuais, originais e divertidas me deixam fora de mim. Sei que já não há salvação possivel para a minha pessoa e isso ainda me entristece mais. Tudo o que me resta são memórias, memórias que já tentei recuperar mas que não me souberam ao mesmo. Sobra-me o Inverno que tanto aprecio e o sabor das castanhas que saboreio quando o meu apetite assim o exige.
Perdeu-se o sonho e nasceu a melancolia que tantas vezes me faz chorar de saudade.

No comments:

Post a Comment